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COMO PRESERVAR OS FILHOS NA SEPARAÇÃO Embora a separação não seja necessariamente ruim para os filhos, pode ter efeito arrasador se não há respeito entre o casal. Isabel Czepak Mais de 100 mil separações judiciais em primeira instância e 135 mil divórcios foram consumados no Brasil em 2003, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número é três vezes maior do que a média anual da década de 70. Esse aumento na freqüência de separações faz com que um número cada vez maior de filhos (crianças na maioria) vivencie o fim do casamento dos pais. Estima-se que eles somem, em média, 200 mil anualmente. A experiência, que já não é fácil, pode tornar-se devastadora quando os filhos acabam no meio de um cabo-de-guerra entre pai e mãe, o que não é tão incomum. Conforme o IBGE, 21 % das separações foram litigiosas. É pior ainda quando os pais não conseguem preservar as crianças do conflito. Texto publicado pela Children Rigth Council, ONG americana de defesa da criança, e das mais respeitadas no mundo, diz que as brigas entre o casal comprometem a saúde emocional e afetam a auto-estima das crianças, podendo deixar seqüelas para o resto da vida. Há cinco anos acreditava-se que a separação, sozinha, seria um fator determinante para a desestabilização emocional, baixo rendimento escolar e baixa auto-estima dos filhos. Pesquisa que durou 19 anos e estudou famílias americanas de classe média, publicada pela psicóloga Judith Wallerstein, apontava que os filhos de pais divorciados eram mais problemáticos que os casais estáveis. Estudos posteriores mostraram que não é bem assim. Psicólogos concordam que a separação pode até fazer bem para as crianças, dependendo da realidade da família antes do rompimento e da forma como o processo é conduzido pelo casal. “Se os pais estão juntos, mas a criança convive com brigas e agressões, a separação é melhor”, avalia o psicodramatista Silvamir Alves, presidente da Sociedade Goiânia de Psicodrama. “Se os pais evitam as brigas e ajudam os filhos a elaborar a experiência, elas podem emergir mais amadurecidas. Aproveitado de forma positiva, o estresse estimula o crescimento”, comenta Silvamir Alves. O conflito entre o casal é um baque na auto-estima dos filhos porque estes se sentem parte dos pais. Assim, freqüentemente interpretam a raiva entre eles como sendo também contra si. Muitas crianças reagem “desligando” seus sentimentos, reprimindo suas emoções, se isolando. Conforme Silvamir Alves, o rendimento escolar é um bom termômetro do estado emocional da criança. Se ela está mal normalmente o rendimento cai. “Outros sinais de alerta são tristeza, apatia, agressividade e aparecimento de distúrbios de fala e do hábito de roer as unhas”. A também psicodramatista e terapeuta de casais e família Inês Pena explica que as brigas deixam as crianças confusas. “Elas gostam tanto do pai quando da mãe, então se sentem divididas”. Quando são envolvidas no conflito, manipuladas para tomar partido, o resultado pode ser ainda mais catastrófico. “Uma mãe que destrói a imagem do pai para a filha, por exemplo, está preparando essa filha para não confiar em homem nenhum. Essa menina poderá vir a ter sérios problemas de relacionamento no futuro.” Membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise, autor de vários livros, Noé Marchevsky reforça que para ter um desenvolvimento saudável, as crianças precisam de pais a quem possam admirar e amar. Se os pais se agridem e denigrem a imagem um do outro, a criança perde esses modelos positivos. “Como resultado ela poderá enfrentar sérios problemas na formação de seu caráter, porque ficará sem referências, não terá quem copiar”, acrescenta Silvamir Alves.
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